Outro dia alguém me perguntou como ficam as pessoas que amam com o amor que jamais acaba, enquanto relacionamentos podem acabar mesmo quando há amor.
De fato, essa é uma das grandes questões e uma das maiores dores existenciais que os humanos tem que enfrentar dentro do coração a vida inteira.
Eu creio que alguns sentimentos acabam. Mas acredito que o verdadeiro amor, mesmo entre homem e mulher, jamais acaba.
Quando alguém entra nesse mistério do coração-o amor-, e vive a experiência de não poder ficar com quem ama-seja lá por que circunstâncias forem-,tal pessoa sofrera a pior tortura que o ser pode experimentar, mas não desejará ficar curada de sua própria dor, pois, o amor não quer se curar de si mesmo, ainda que muitas vezes clame pedindo compaixão aos céus, implorando por "libertação". Todavia, se a "opção de cura" lhe for oferecida, suicidamente, o amor a repudiará, visto que não pode negar-se a si mesmo.
Por esta razão, terá que existir em fidelidade a si mesmo, mesmo que seja contra si mesmo.
Ora, para todo aquele que sofre desse "bem", resta apenas um consolo: Deus também sofre dele.
É apenas porque o amor de Deus é assim-e Deus é amor-, que toda manifestação genuína de amor está, eventualmente, fadada ao sacrifício.
Mas são desses sacrifícios do amor que a humanidade inteira retira seu folego de esperança para continuar existindo.
Neste mundo caído quanto mais sublime são as realidades, mais passíveis de dor elas se mostrarão.
Quem não deseja correr tal risco deverá buscar ser raso e superficial durante toda a vida. Porém, não terá sabido o gosto de viver.
Até o que é mais sublime-como o amor-, terá que receber, nesta terra de dores, a glória da coroa de espinhos.
É o amor coroado com espinhos!
É assim o amor em meio à queda!
É a vida!
Quem não tiver encontrado tal amor, não o busque. Quem foi encontrado por ele, saiba: não adianta fugir dele. Daniel









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