MEU MARIDO NÃO ME ENXERGA...
Como você pode ser tão profundo e discernir tanto o que as pessoas estão realmente escrevendo?
Acabo de ler sobre o pastor que não pode com a presença de mulheres. Acho que vivo uma situação muito parecida.
Tenho lido exaustivamente o seu site, mas ainda não encontrei minhas respostas...
Faço terapia desde sempre. Eu mesma me interesso pela psicanálise. Por isso, além de ser uma questão pessoal, também é uma questão profissional. Não sem interrupções, mas sempre volto quando tenho possibilidade e necessidade. Mesmo assim não está sendo fácil...
Meus pais [são] de uma igreja histórica. Passei minha infância freqüentando Escola Dominical, etc. O que foi um tempo muito bom, principalmente por termos dificuldades homéricas em casa. Minha família classe-média, meu pai alcoólatra, agressivo (verbal) e provedor. E com muitas dificuldades por conta das experiências vivenciadas no passado, que foi pesado.
Quando conheci meu marido, éramos adolescentes. Ele recém convertido em uma igreja neo-pentecostal, a qual eu e minha família íamos, em alguns cultos, buscar ajuda para o nosso problema em casa.
Apesar de nossa diferença social, começamos uma amizade, que depois de seis meses virou um namoro, logo muito quente...
Sempre o admirei profundamente, fruto também da visão que fui obtendo na terapia. Ele [-] uma pessoa muito comunicativa, e, por influência da minha família, retomou seus estudos (condição única para podermos prosseguir em nosso relacionamento...)
Eu já estava no primeiro ano da faculdade. Ele nem o colegial tinha começado. Sua família classe-baixa. Seu pai não tinha incentivava quanto a não criar seus filhos nesse caminho, pois viviam para suprir necessidades primárias... Logo os filhos deveriam se encaminhar para ajudar em casa. Coisa que meu marido nunca fez, principalmente depois de ter me conhecido, pois, seu salário passou a custear seus estudos.
Hoje ele é o único da família a ter uma vida diferente. É um profissional muito dedicado e realizado. É uma história bonita. Em sua formatura de graduação foi até o meu pai e agradeceu pela visão de vida que ele tinha passado, e até hoje é grato ao meu pai.
Nosso namoro, como disse, foi intenso. Mas confesso que eu sempre tive algum problema, pois fui me masturbar pela primeira vez no ano em que me casei, aos 24 anos... Enquanto ele o fazia sem rodeios, já durante o nosso namoro, inclusive junto comigo.
Éramos um casal super ativo na igreja. Eu, líder e professora na igreja; e ele participava ativamente na igreja dele. Depois nos unimos a uma outra igreja para trabalharmos juntos...
Namoramos sete anos... Marcamos a data do casamento, e a partir daí passei a ter experiências maravilhosas com Deus... Para mim foi tremendo aquele momento...
Veio a lua-de-mel... Achei que agora poderíamos dar livre vazão para aquele fogo do namoro... Já naquela semana percebi que as coisas estavam meio estranhas... Ele me disse “pode vestir pijama também, pois não precisamos transar todos os dias...”
COMO? Tudo bem! Não precisava mesmo. Mas precisa falar?...
Mas comecei a perceber um movimento estranho da parte dele. Ele ficava como abelha, procurando jornal, para então entrar no banheiro... E quando saía parecia aliviado, pronto para dormir...
Faz 14 anos que vivo esse fantasma... Temos três filhos, e quando o terceiro nasceu, veio a bomba...
Aos prantos me confessou ter me traído com garotas de programas!
Sempre pensei em meus filhos e em minha profissão, que a duras penas mantive...
Bem neste momento recebi clientes com problemas de traição... Janeiro de 2004 foi quando me fez a revelação bombástica.
Como tem sido de lá para cá? Só por Deus e pela terapia! é claro que da igreja não pensei em receber ajuda!
O que sinto por ele? Raiva e mágoa! Por tudo isso... Mas também o admiro por outras coisas. Como profissional e pai ele é divertido. Aqui em casa brincamos muito, inclusive procurei preservar este ambiente para os meus filhos. Mas este problema existe. Sinceramente, apesar de ele ter me traído, tentei superar. Tenho uma visão mais realista hoje... Mas volta e meia percebo que ele se distancia... deixamos de ter relações... ontem de madrugada... meu filho estava doente... e eu fui atendê-lo... passei pelo nosso quarto para pegar um remédio... ele estava se masturbando... RRRRRRRRRRRRRRRR... não é uma cena que eu gostaria de ter presenciado.
O que ACONTECE COM UMA CRIATURA DESSAS???
Fico trazendo a responsabilidade para mim. Sou muito pudica?
Então vamos mudar!
Depois da traição nossa relação melhorou. Mas acho que ele se excedeu. Começou a falar algumas fantasias... Inclusive envolvendo pessoas muito chegadas... Foi demais!... Novos conflitos... E assim tem sido: altos e baixos.
Penso em separação. Tenho uma data... Quando meu filho completar cinco anos...
Li um artigo na revista da Folha. "Por que se preocupar com o que seu marido esta fazendo com seu pinto dentro do banheiro, DEIXA ELE EM PAZ"
É isso? Tenho que deixá-lo em paz? Acabo me virando só; mas é triste, não é?
Tenho sempre insistido para ele buscar ajuda, terapia principalmente. Até fez um tempo... Depois que descobri seu site eu o recomendei. Sempre estou lendo e deixo aberto para ele ler também. Pedi para ele te escrever, pois em alguns momentos já chegou a chorar e sofrer, mas por enquanto não tem passado disso... Daí o meu prazo.
Estou chegando aos quarenta e sou uma mulher bonita. A natureza me favoreceu e também me cuido. Então não é por que sou gorda ou algo parecido. Então o que é? O que preciso enxergar que ainda não consegui?
É madrugada e minhas lágrimas começam a
cair... Hora de parar!
.
Se puder...
Obrigada!
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Resposta:
Minha querida amiga: Graça e Paz!
Sei que você está sofrendo, e peço a Deus que a
ilumine e conforte; e que, sobretudo, você seja confortada
pela alegria ou mesmo pela dor da verdade; pois, ao final, o que
importa é o resultado, se estamos libertos, livres, leves, e
gratos; ou não.
Sei que é duro para uma mulher bonita ou não, ver seu marido se masturbando ao invés de propor gozo e carinho a ela.
Afinal, se a gente pudesse se satisfazer de verdade sem sexo (apenas com masturbação), seria razoável dizer que a gente pode se “virar sozinho”, conforme você disse. Mas nós sabemos que não é assim; e sabemos que nada é melhor sexualmente do que sexo em si; e que se não o é, é porque pessoa que prefere diferente, não é madura, e, portanto, nem deveria casar.
Sim, quem gosta mais de masturbação do que de sexo, não deveria casar; pois, se para ele (a) não faz mal, não dói; todavia, para o outro, o preterido na escolha entre a mão e a genitália, é devastador; visto que coloca a referencia da auto-satisfação como bastante para a pessoa. Neste caso, estamos diante de uma androgenia psicológico-erótica.
Vamos à sua carta.
Espero que esta carta a mim não seja um aviso para seu marido, o qual, lendo o site, pode vir a sentir que a “história” é a dela com você, e que você já designou o dia da execução.
Digo isto porque se houver qualquer que seja a intenção nesse sentido, recomendo a você que não faça isto; pois, melhor seria mandá-lo embora do que obter dele aquilo que só faz bem quando é verdade do coração, e não domesticação conjugal.
Ou você deseja que ele se deixe domar pelo medo?
O que você acha que o medo serviria a você como alimento?
Sim, que resultado o medo teria a lhe oferecer de bom?
Ora, amor e medo nunca coexistem...
Como você sabe o verdadeiro amor, amor de Deus em nós, lança fora todo medo. Portanto, medo e amor não cabem sadios no mesmo lugar...
Assim, não se deixe nunca ludibriar pelo auto-engano da domesticação. Afinal, o que você quer, só vale se for livre e sem medo. Do contrário, sei que você não se satisfará com os resultados.
O que senti em sua carta foi muita falta de informação acerca da alma dele. Há muitos elementos externos, históricos, objetivos, mas quase nada sobre ele mesmo, sobre sua alma, sobre o que ele tem dito a você acerca dele mesmo...
Ou vocês nunca conversaram sobre o assunto?
E mais: o assunto verdadeiro é a masturbação dele? E, se é, vocês já falaram sobre o tema? O que ele disse ou diz? Etc.
Por esta razão, sugiro que você converse com ele, e, no mínimo, me escreva respondendo às questões básicas que propus acima. Só assim poderei ser mais útil, eu creio.
Ou você está disposta a encerrar o casamento sem saber o que estava, de fato, acontecendo com ele?
Sua questão na carta é: Por que ele se masturba se eu sou bela e desejável?
Ora, tal questão é ainda secundária; pois, nesse caso, o que interessa é saber por que ele, desde a lua-de-mel, prefere a masturbação ao sexo.
Afinal, durante o namoro, a alegria de vocês era se masturbarem juntos!
Ele já era viciado em masturbação ou aqueles sete anos de namoro definiram esse padrão infantil na sexualidade dele?
É importante saber desde quando que esse padrão se estabeleceu. E ainda: é importante saber se ele somente transou com garotas de programa fora do casamento.
Você sabe que beleza e desajabilidade ajudam, mas não definem nada no casamento. Pois tais coisas são muito menos importantes para alma do que o conforto da liberdade.
Assim, pergunto: Ele se mostra tímido para com você? E mais: ele tem alguma preferência sexual? Sim, porque certas preferências sexuais também determinam o impulso da pessoa, se sua pulsão é sadia (própria para a idade) ou se é infantil.
Assim, transfiro a bola pra você. Pense com calma e me responda com toda clareza.
Nele, que nos ajuda a enxergar a nós mesmos antes de
enxergarmos os outros,
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